A nossa História...

 

     João Alves Barbosa nasceu a 1 de Outubro de 1938 (1-10-1938). Natural de Freixieiro de Soutelo, aldeia situada no Minho, cedo começou a trabalhar como carpinteiro. O seu pai emigrante no brasil durante anos, com o intuito de angariar algum dinheiro para criar os seus 5 filhos, regressa a casa dedicando-se à lavoura com a sua esposa até ao fim da sua vida. Proveniente do brasil apenas trouxe libras de ouro trocando-as, sempre que necessário, por bens de forma a sustentar a sua família, adquirindo assim ao longo da vida algumas propriedades como moinhos, terras de lavoura, de onde provinha quase na totalidade a sua alimentação e bens diários necessários.

  

     Aos 17 anos de idade João parte para Lisboa onde continua a trabalhar como carpinteiro permanecendo a trabalhar como tal durante um ano. Ainda muito Jovem, um acidente de metro atira-o para uma cama de hospital durante 6 meses. Fruto desse acidente é-lhe amputado uma perna. Após tal incidente que o impossibilitou de se manter no mesmo trabalho regressa à terra natal optando por uma arte mais adequada à sua condição física.

 

     Já na sua terra natal e após a recuperação do qual optou por uma prótese de pau em substituição da amputação da perna começou a trabalhar como aprendiz de sapateiro. Aprendiz de sapateiro começavam pelos trabalhos básicos sempre debaixo da orientação do mestre sapateiro executando tarefas cada vez mais complexas, de modo a estar familiarizado com as ferramentas e procedimentos da arte. Mais tarde surge uma nova oportunidade de trabalho numa fábrica de produção de calçado em Vilarelho, onde trabalhou cerca de 4 anos.

     Após este período de plena aprendizagem decide lançar-se a título individual com a abertura de um sapateiro em Vila Praia de Âncora. Retratando a sua oficina, onde a luz era escassa, com o fio suspenso com a lâmpada sobre a bancada de trabalho, caracterizava-se pela pelas quantidades avultadas de calçado pelos cantos, sapatos com cola a secar, pelos bancos típicos, pelas bancas que consistiam em pequenos móveis nos quais eram colocadas as ferramentas, tamancos e sandálias altas desgastadas que aprendizes (4 funcionários que empregou) de novo punham como novas.

     Não faltava na oficina do João a cera, a sola, as gáspeas e meias gáspeas, a alma, a cerda, a linha, a borracha e o atacador, os pregos, a sovela da borracha e a sovela da sola, as meias solas, os ilhós, a graxa, o martelo, a cola, o salto, o meio salto e o salto alto, o protetor, a máquina de cozer, o contraforte, a fivela, a escova preta e a castanha, o calfe e as tintas. Pelas paredes calendários de folhas revirados com a humidade e calor e ainda um brutal e forte cheiro a cola e tintas. Neste ambiente surge a criação dos nocacos.

     Apesar de João gostar de restaurar o calçado usado o que o fascinava era, de facto, fazer de raiz calçado novo. Para além dos nocacos, fez outros modelos como chinelas tradicionais à lavradeira, botas de trabalho para a construção civil e especialmente para a lavoura entre outros modelos básicos adequados aos ofícios da época em questão. O modo de fabrico do mesmo era totalmente artesanal e todos os materiais utlizados eram materiais nobres o que fazia com que os mesmos durassem anos e anos. A nobreza dos materiais utilizados repercutia-se na durabilidade dos mesmos. Com arte e maestria, ele manuseava artesanalmente sapatos, sandálias, chinelos, botas, bolsas e mochilas de clientes. Persiste a lembrança de que, ao fabricar este tipo de calçado, João dominava os saberes de uma profissão, pois o processo produtivo dependia da habilidade do artesão em trabalhar o couro fabricando assim peças sob a medida de cada cliente.

João Trabalhou cerca de 40 anos como sapateiro até se reformar.

A 11 de junho de 2014 falece.

 

 

Nocacos

Em honra ao meu querido avô e mantendo a sua oficina e arte hoje 

Nocacos nasceu do sonho de produzir um chinelo confortável e prático aliado à qualidade permanecendo fiel às técnicas artesanais de outrora. Trazemos à lembrança a nossa longa história para acrescentar valor ao nosso chinelo tentando manter e acompanhar o conhecimento de uma geração anterior. É um chinelo com décadas de existência manufaturado em Couro Natural.

     A nocacos é assim um produto totalmente manufaturado realizado apenas com produtos naturais e portanto com irregularidades naturalmente evidentes e esperados que identifica a identidade do próprio chinelo. É simples em termos de design, contudo, ornamentado com peças de joalharia em prata e ouro. São detalhes que realçam e contrastam a simplicidade do mesmo tornando-o num modelo único. Por serem intemporais, os seus modelos respeitam a identidade de quem os usa, mas simultaneamente, surpreendem com pormenores. De várias vantagens que lhe subjaz destaca-se nos nocacos a robustez, conforto e durabilidade próprias de um calçado todo feito à mão com matéria-prima de alta qualidade. Este modelo apenas utiliza na sua confeção Couro natural, borracha antiderrapante, ouro e prata. Salienta-se a particularidade que os nocacos podem ser utilizados dentro de água sem alterar ou danificar o mesmo. O uso continuado do mesmo irá fazer com que o chinelo fique com um aspeto cada vez mais bonito contrariando assim a ideia de um sapato desgastado e feio do uso.

     Práticos e ideais para o dia a dia, os nocacos de couro combinam com looks descontraídos e dão um toque de elegância casual ao visual nos dias mais quentes. Os mesmos são versáteis podendo ser utilizados em ambientes distintos, como por exemplo, para um dia de trabalho, para ficar em casa, para ir à rua, uma ida à piscina, à praia, para um jantar entre amigos, para passear e mesmo marcar presença em eventos mais informais. Hoje não existe mais o rigor entre “sapato raso é para o dia e salto para a noite”. Os nocacos combinam com looks elegantes, deixando de ser exclusivas da beira da praia. Os Nocacos é a opção que garante o estilo sem perder o conforto e a praticidade.

João Barbosa

História

 

tous - sapataria - malas

CONFIANÇA All Days, since 1961